Dois jovens bacharéis alojados em casa de um doutor
trabalhavam com ardor
para se porem em estado de tomar as suas licenças.
Lá, da manhã à noite, em público disputando,
provando, dividindo, ergotizando
sobre a natureza e as suas substâncias,
o infinito, o finito, a alma, a vontade,
os sentidos, o livre-arbítrio e a necessidade,
chegaram depressa a não se compreenderem mais:
muitas vezes mesmo por aí, dizem, eles começavam,
mas era então que se atiravam
os mais belos argumentos; quem vinha ouvi-los
ficava de boca aberta,
e o próprio professor, em êxtase, admirava.
Uma noite em que dormiam no sótão do mestre
sobre um catre comum, eis que os meus jovens
em sonhos julgam estar
a disputar nos bancos.
Eu demonstro, diz um. Eu distingo, diz o outro.
Ora, eis o meu dilema. Ergo, eis o nosso…
a estas palavras, os nossos sonhadores, gritando, gesticulando,
em vez de se cingirem aos simples argumentos
de Aristóteles ou de Escoto, sustentam o seu dilema
a socos bem assentados
no nariz.
Ambos saltam da cama numa raiva extrema,
agarram-se pelos cabelos,
caem, e fazem cair em confusão com eles
todos os móveis que têm, duas cadeiras, uma mesa,
e quatro in-fólios escritos em pergaminho.
O professor chega, uma vela na mão,
a este estrépito horrível:
é o diabo que está aqui! Diz ele fora de si:
como! Sem ver claro e sem saber porquê,
vocês batem-se assim! Que mosca vos pica?
Nós não nos batemos, dizem eles; julgue melhor:
é que estamos a repassar os dois
as nossas lições de metafísica.
Florian
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/fabula-os-dois-bachareis-jean-pierre-claris-de-florian/
