O Rei Afonso

Fábula de Jean-Pierre Claris de Florian Época Século XVIII

Certo rei que reinava nas margens do Tejo,
e a quem chamavam o sábio,
não porque fosse prudente,
mas porque era sabedor,
Afonso foi, sobretudo, hábil astrónomo.
Conhecia o céu muito melhor que o seu reino,
e deixava muitas vezes o seu conselho
pela lua ou pelo sol.
Numa noite em que regressava ao seu observatório,
rodeado dos seus cortesãos,
meus amigos, dizia ele, enfim tenho razão para crer
que com os meus novos instrumentos
nesta noite verei homens na lua.
Vossa majestade há-de vê-los,
respondiam; a coisa é até demasiado comum,
ela deve ver melhor que isso.
Durante todos esses discursos, um pobre, na rua,
aproxima-se, pedindo humildemente, chapéu na mão,
alguns maravedis: o rei não o ouve,
e, sem olhar para ele, segue o seu caminho.
O pobre segue o rei, sempre estendendo a mão,
sempre renovando a sua prece importuna;
mas, com os olhos no céu, o rei, por todo o refrão,
repetia: verei homens na lua.
Enfim o pobre agarra-o
pelo seu manto real, e gravemente lhe diz:
não é lá de cima, é dos lugares onde estamos
que Deus vos fez soberano.
Olhai para os vossos pés; lá vereis homens,
e homens sem pão.

Florian

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/fabula-o-rei-afonso-jean-pierre-claris-de-florian/