Que eu odeio essa arte de pedante,
essa lógica capciosa,
que de uma coisa clara faz uma duvidosa,
de um princípio errado tira subtilmente
uma consequência enganosa,
e raciocina desarrazoadamente!
Os gregos inventaram essa bela maneira.
Fizeram mais mal do que pensavam fazer.
Deus lhes dê paz! Trata-se de uma raposa,
grande argumentador, célebre tagarela,
e que ensinava retórica.
Tinha escola pública,
tinha discípulos que pagavam em frangos.
Um deles, que se destinava a pleitear no palácio,
devia pagar ao seu mestre na primeira causa
que ganhasse: assim a coisa
ficou combinada de uma e de outra parte.
Terminado o curso, o meu discípulo raposa
intenta um processo ao seu mestre,
dizendo que nada deve. Perante o leopardo
ambos comparecem.
Senhor, dizia o discípulo,
se ganho, é claro, nada tenho de pagar;
se perco, nula é a sua dívida:
pois convém que o vencimento
só devia chegar depois
do ganho do meu primeiro processo;
ora, perdido esse processo, estou quite, penso:
meu dilema é certo. Nada disso,
respondia logo o mestre:
se perderdes, pagai, a lei assim o ordena;
se ganhardes, sem mais demora,
pagai, pois assinaste
promessa de pagar no primeiro pleito ganho:
aí estais. Creio o argumento sem resposta.
Cada um espera então que o juiz pronuncie,
e a assistência admirava-se
de que ele não atirasse ali o seu barrete.
O leopardo pensativo tomou enfim a palavra:
fora do tribunal, disse-lhes; proíbe-se ao discípulo
de continuar o seu ofício,
ao mestre de ter escola.
Florian
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/fabula-o-julgamento-das-duas-raposas-jean-pierre-claris-de-florian/
