Rancor farta

Poema de Charles Cros Coleção O cofrezinho de sândaloÉpoca Século XIX

Apesar da sua louca traição
Não é ela ainda a mesma?
O orgulho já não está na estação.
Eu amo-a.

Sei que ela permanece, apesar
De impuros contactos, virgem eterna,
Que nenhum veneno penetrou
Nela,

Mármore demasiado carnal que sofre
Todas as manchas, mas as afronta;
Pois a chuva, numa noite,
O lava.

Mesmo no tempo dos primeiros olhares,
Sabia-a vã e perversa.
Mas a alma aos ameaçadores acasos
Se embala.

Fechando os olhos, entregava-me
À sua suavidade malsã,
Pensando bem que eu suportaria
A pena.

Mordido, morrendo, por ter apertado
Contra o meu peito a pantera,
Quero permanecer orgulhoso, e saberei
Calar-me.

Este mês de abril, quero banir
Do meu coração os sonhos morosos.
Quero ornar a sua memória
De rosas.

E retomo a liberdade
De adorar a sua graça suprema.
Tal como era fiquei.
Eu amo-a.

Charles Cros

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-rancor-farta-charles-cros/