O Golfo de Baya

Poema de Alphonse De Lamartine Coleção Meditações PoéticasTemas Lugares, NaturezaÉpoca Século XIX

Vês como a onda pacífica
Vem morrer na praia!
Vês o volúvel zéfiro
Enrugar, com um sopro insensível,
A onda que ele gosta de percorrer!
Subamos ao leve barco
Que a minha mão guia sem esforço,
E deste golfo solitário
Rasemos timidamente as margens.

Longe de nós já foge a margem.
Enquanto com mão receosa
Seguras o dócil remo,
Curvado sobre o remo ruidoso
No seio da onda fremente
Traço um rápido sulco.

Deus! que frescura se respira!
Mergulhado no seio de Tétis,
O sol cedeu o império
À pálida rainha das noites.
O seio das flores semi-fechadas
Abre-se, e de vapores perfumados
Neste momento enche os ares;

E do anoitecer a brisa leve
Dos mais doces perfumes da terra
Por sua vez perfuma os mares.

Que cantos ressoam sobre estas ondas?
Que cantos irrompem nestas margens?
Destes dois concertos que se unem
O eco prolonga os acordes.
Não ousando confiar nas estrelas,
O pescador, recolhendo as suas velas,
Saúda, cantando, a sua morada.
Enquanto uma louca juventude
Lança ao céu gritos de alegria,
E festeja o seu feliz regresso.

Mas já a sombra mais espessa
Cai, e escurece os vastos mares;
A margem apaga-se, o ruído cessa,
O silêncio ocupa os ares.
É a hora em que a melancolia
Se senta pensativa e recolhida
Nas margens silenciosas dos mares,
E, meditando sobre as ruínas,
Contempla na encosta das colinas
Este palácio, estes templos desertos.
Ó da liberdade velha e santa pátria!
Terra outrora fecunda em sublimes virtudes!
Sob indignos Césares agora escravizada,
O teu império caiu! os teus heróis já não existem!
Mas no teu seio a alma engrandecida
Crê sobre os seus monumentos respirar o seu génio,
Como se respira ainda num templo abolido
A majestade do deus de que estava cheio.
Mas não interroguemos as vossas cinzas generosas,
Velhos Romanos! orgulhosos Catões! manes dos dois Brutos!
Vamos pedir de novo a estes muros abatidos
Lembranças mais doces, sombras mais felizes,

Horácio, neste fresco retiro,
Numa solidão embelezada
Pelo prazer e pelo génio,
Fugia às pompas da corte;
Propércio visitava aí Cíntia,
E sob os olhares de Délia
Tíbulo modulava aí os suspiros do amor.
Mais adiante, eis o asilo onde veio cantar o Tasso,
Quando, vítima ao mesmo tempo do génio e da sorte,
Errando pelo universo, sem refúgio e sem porto,
A piedade recolheu a sua ilustre desgraça.
Não longe das mesmas margens, mais tarde veio morrer;
A glória chamava-o, ele chega, sucumbe:
A palma que o espera diante dele parece fugir,
E o seu louro tardio só dá sombra à sua tumba.

Colina de Baya! poético retiro!
Voluptuoso vale que habitou alternadamente
Tudo o que foi grande no mundo,
Já não ressoas de glória nem de amor.
Nem uma voz que me responda,
A não ser o ruído plangente desta onda,
Ou o eco despertado dos destroços em redor!

Assim tudo muda, assim tudo passa;
Assim nós mesmos passamos,
Ai! sem deixar mais rasto
Do que este barco onde deslizamos
Sobre este mar onde tudo se apaga.

Alphonse de Lamartine

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poeme-le-golfe-de-baya-alphonse-de-lamartine-2/