Um golpe de sol

Poema de Guy De Maupassant Época Século XIX

Era no mês de junho. Tudo parecia em festa.
A multidão circulava ruidosa e sem cuidado.
Não sei bem por que eu também era feliz;
Aquele ruído, como uma embriaguez, turvou-me a cabeça.
O sol excitava as forças do corpo,
Entrava por completo até ao fundo do meu ser,
E eu sentia em mim a ferver esses impulsos
Que o primeiro sol fez nascer no coração de Adão.
Uma mulher passava; ela olhou-me.
Não sei que fogo o seu olho sobre mim lançou,
De que arrebatamento a minha alma foi tomada,
Mas veio-me de repente como uma frenesi
De me atirar a ela, um desejo furioso
De a estreitar nos meus braços e de beijar a sua boca!
Uma nuvem de sangue, vermelha, cobriu-me os olhos,
E julguei apertá-la num beijo selvagem.
Eu apertava-a, dobrava-a, derrubando-a.
Depois, levantando-a de súbito com um esforço poderoso,
Repelia do pé a terra, e no espaço
A escorrer de sol, num salto, levava-a.
Íamos pelo céu, corpo a corpo, face a face.
E eu, sempre, para o astro em brasa subia,
Apertando-a contra o meu peito numa estreiteza tão forte
Que nos meus braços crispados vi que ela estava morta…

Guy de Maupassant

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-um-golpe-de-sol-guy-de-maupassant/