O Arco

Poema de Charles Cros Coleção O cofrezinho de sândaloÉpoca Século XIX

Ela tinha belos cabelos, loiros
Como uma seara de Agosto, tão longos
Que lhe caíam até aos calcanhares.

Ela tinha uma voz estranha,
Musical, de fada ou de anjo,
Olhos verdes sob a sua negra franja.

*

Ele, não temia rival,
Quando atravessava monte ou vale,
Levando-a no seu cavalo.

Pois, para todos os da contrada,
Altiva ela se mostrara,
Até ao dia em que ele a encontrou.

*

O amor tomou-a tão forte no coração,
Que por um sorriso zombeteiro,
Veio-lhe um mal de langor.

E nas suas últimas carícias:
«Faz um arco com as minhas tranças,
Para encantar as tuas outras amantes.»

Depois, num longo beijo nervoso,
Ela morreu. Seguindo os seus votos,
Ele fez o arco dos seus cabelos.

*

Como um cego que murmura,
Num violino de Cremona
Ele tocava, pedindo esmola.

Todos tinham inebriantes arrepios
Ao ouvi-lo. Pois naqueles sons
Viviam a morta e as suas canções.

*

O rei, encantado, fez a sua fortuna.
Ele, soube agradar à rainha morena
E levá-la ao luar.

Mas, cada vez que ele tocava
Para agradar à rainha, o arco
Tristemente lhe censurava.
*

Ao som da funébrea linguagem,
Morreram a meio da viagem.
E a morta retomou o seu penhor.

Ela retomou os seus cabelos, loiros
Como uma seara de Agosto, tão longos
Que lhe caíam até aos calcanhares.

Charles Cros

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-o-arco-charles-cros/