Conversas de rua

Poema de Guy De Maupassant Coleção Des versÉpoca Século XIX

Quando no bulevar vou flanar um pouco,
Quantas vezes ouço, sem morrer de desgosto,
Dois senhores condecorados, que parecem bem capazes,
Conversar, trocando sorrisos amáveis.
PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO
Como, é o senhor?

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

Por que acaso?

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

E a saúde?

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

Nada mal, e o senhor?

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

Obrigado, muito bem.

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

Que tempo esplêndido!

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

Se continuar assim, teremos um verão
Magnífico!

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

É verdade.

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

Amanhã vou ao campo!
À minha propriedade.

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

É o momento, tudo parte.

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

Sim. – Lá em casa os lilases estão um pouco atrasados;
O ar está seco e as noites muito frescas.

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

Eis a lua vermelha. Terá bons pêssegos?

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

Sim – nada mal.

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

Que há de novo, além disso?

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

Nada.

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

A senhora
Vai bem?

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

Um pouco gripada.

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

Oh! com o tempo que corre,
Todos estão doentes. – Viu o drama
Do Fulano?

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

Eu? – Não, não – Que dizem dele?

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

Quase um fracasso.
Não está suficientemente feito ao correr da pena.
Não é do Sardou. Muito forte, o Sardou!

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

Muito forte!

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

O Fulano aplica-se demasiado. É bom num volume,
Nota-se menos o trabalho e o esforço;
Mas no teatro é preciso escrever como se fala.

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

Eu volto ao Feuillet. Eis aí, prosa!
Quanto a todos os fazedores de livros de hoje
Passo sem eles. – Já não tenho idade para ler
Muito; e o meu jornal basta para o meu tédio.

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

O jornal… e… o sexo!…
– Soltam aquele risinho
Pelo qual se confessa um vício como deve ser. –

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

E a mesa?

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

Oh! isso não. – Não tenho esse defeito.

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

E o senhor ocupa-se sempre de política?

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

Muito, é mesmo a minha consolação!

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

Oh! consagrar a vida à Coisa pública,
Certamente, é uma grande e nobre ambição.
Temos agora uma bela falange
De oradores na Câmara.

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

São muito fortes, muito fortes.

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

Mas que desgraça que Thiers e Changarnier tenham morrido!
A propósito, lê esse Zola?

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

Que lama!!!

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

E ainda vêm queixar-se que tudo está caro,
E que se frauda, e que se engana, e que se rouba, e que se pilha!
Minam a moral, destroem a família.
Onde vamos cair?

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

Ai!… Vamos, adeus meu caro,
A hora aperta.

SEGUNDO SENHOR CONDECORADO

Adeus. Cumprimentos à senhora.

PRIMEIRO SENHOR CONDECORADO

Não faltarei. Os meus respeitos, por favor,
À sua menina.
– E cada um foi-se embora.-
E sábios sacerdotes dizem que têm uma alma!
E que se há um sinal onde se vê seguramente
Que um Deus fez nascer o homem acima do animal,
É que pôs o pensamento augusto na sua cabeça,
E que esse nobre espírito progride incessantemente!
Mas há tanto tempo que este velho mundo existe,
E a tolice humana obstinadamente persiste!
Entre o homem e o bezerro se o meu coração hesitasse,
A minha razão saberia bem a escolha que faria!
Pois não compreendo, ó pedantes, que se prefira
A bestialidade que fala àquela que se cala!

Guy de Maupassant

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-conversas-de-rua-guy-de-maupassant/