Sim! permaneçamos mascarados para o mundo!
Ele não vale o que veria
Na nossa intimidade profunda,
Se dela surpreendesse o segredo!
Abusaria disso, sem dúvida;
É tão cruel e tão baixo!
Minha Clara, por ti receio
O que tu não conheces!
Tu, da vida só conheces
O que dela sonhou teu coração…
Mas eu, Clara, desconfio dela…
Sei o quanto ela tem de mentirosa.
Sei quantas feridas fazem
Os corações ciumentos aos corações felizes…
As nossas máscaras serão as nossas armaduras!
Mascaremos-nos, Clara, tu o queres!
Gela os teus olhos encantadores que eu amo;
Faz melhor, minha Clara! — enche-os
De desdém, de crueldade mesmo…
Ri de mim, eu to permito!
Que nunca se possa dizer:
«Vejam! fazem olhinhos um ao outro!
«Têm um sobre o outro um império…»
Mascaremos-nos, Clara, mascaremos-nos!
Nem por isso serás menos charmosa,
E talvez sejas,
Falsa, ainda mais inebriante,
E que melhor me inebries!
O encanto é tão grande, do mistério!
Aos rostos brancos assenta a máscara negra…
Mentir é melhor do que calar;
Saber-se é mais do que se ver!
Jules Barbey d’Aurevilly
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-cancao-jules-barbey-d-aurevilly/
