As quatro estações

Poema de Charles Cros Coleção O cofrezinho de sândaloÉpoca Século XIX

I

Na primavera, foi nos bosques nus
Que um dia nos conhecemos.

Os rebentos soltavam vapor verde.
O amor foi uma descoberta.

Graças às lilases, graças aos lírios,
De sonhadores tornámo-nos alegres.

Sob a glicínia e o cytiso,
Ambos sós, que é preciso que se diga?

Nada teríamos dito, resedá,
Sem o teu perfume que nos ajudou.

II

No verão os lírios e as rosas
Tinham inveja das suas cores e das suas poses,

À noite, pelo odor das tílias
Fomo-nos embora sós.

O odor do seu corpo, sobre o musgo,
É mais inebriante e mais suave.

Ao voltarmos ao longo dos trigais,
Estávamos ambos muito perturbados.

Como os trigos que o vento roça,
Ela vergava sobre o meu ombro.

III

O outono faz os ruídos enrugados
Dos nossos tumultuosos beijos.

Na água caem as folhas secas
E sobre os seus olhos, as madeixas loucas.

Eis os pêssegos, as uvas,
Prefiro a sua face e os seus seios.

Que me faz a noite triste e vermelha,
Quando o seu lábio amuado se move?

O vinho que corre dos lagares
É menos traiçoeiro que os seus olhos negros.

IV

É inverno. O carvão de pedra
Arde na minha solidão.

A neve cai sobre os telhados.
Branca! Oh, os seus belos seios brancos e frios!

Mesmo rasto nas chaminés
Que nas suas tranças disseminadas.

No baile, cada um lança, polido,
As palavras ferozes do esquecimento,

A água que cantava gelou-se,
Amor, que tédio te substitui!

Charles Cros

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-as-quatro-estacoes-charles-cros/