Senhores Turcos, eu vos detesto.
Que frio, que insípido bem,
Abusar de um poder funesto,
Ousar tudo, sem inspirar nada!
Se vos devemos crer, uma Mulher
Nasceu para vosso divertimento,
Com alguns atrativos, não tem alma,
E engana com bastante ingenuidade.
Blasfemais… o Céu é sábio;
Ele comunica à sua imagem
A centelha do sentimento.
Um belo olho o pinta e o anuncia;
Ele é o intérprete dos Deuses,
E os seus olhares são a minha resposta.
Em nós, é o coração que pronuncia:
Mas, para um Turco, é demasiado dos olhos.
Não, nada é como a nossa França.
Aqui, tem-se razão,
Com um grão de extravagância.
As Mulheres dão o tom;
E são elas que se incensam.
Vem a nossos pés, vem, Sultão.
Aprende a gozar a vida;
Depõe o orgulho do Turbante,
Pelos pompons da minha Pátria.
Possuir é menos que sentir.
Vem tomar, aos joelhos de Délia,
Algumas lições do verdadeiro prazer.
Que esperas dessas escravas,
De quem cativas os belos anos;
Que não encontram, nas suas cadeias,
Senão opressores por amantes?
Vai; dá-lhes a chave dos campos.
Faz enfim amar a tua alteza;
E verás, em pouco tempo,
Que a liberdade que nos deixam,
Desenvolvendo os sentimentos,
Nunca prejudica a sabedoria.
Assinado por nós, graves Doutores
Pensando sob toucas de flores,
E ditando leis à Ásia,
À noite após a Comédia.
fanny-de-beauharnais
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-aos-turcos-fanny-de-beauharnais/
