Mãe das recordações, amante das amantes,
Ó tu, todos os meus prazeres! ó tu, todos os meus deveres!
Tu te lembrarás da beleza das carícias,
Da doçura do lar e do encanto das noites,
Mãe das recordações, amante das amantes!
As noites iluminadas pelo ardor do carvão,
E as noites na varanda, veladas de vapores rosados.
Que teu seio me era doce! que teu coração me era bom!
Dissemos muitas vezes coisas imperecíveis
As noites iluminadas pelo ardor do carvão.
Que belos são os sóis nas quentes noites!
Que profundo é o espaço! que poderoso é o coração!
Inclinando-me para ti, rainha das adoradas,
Julgava respirar o perfume do teu sangue.
Que belos são os sóis nas quentes noites!
A noite espessava-se como uma parede,
E os meus olhos na escuridão adivinhavam as tuas pupilas,
E eu bebia o teu sopro, ó doçura! ó veneno!
E os teus pés adormeciam nas minhas mãos fraternas.
A noite espessava-se como uma parede.
Sei a arte de evocar os minutos felizes,
E revivo o meu passado aninhado nos teus joelhos.
Pois de que serve procurar as tuas belezas langorosas
Noutro lugar que não no teu querido corpo e no teu coração tão doce?
Sei a arte de evocar os minutos felizes!
Esses juramentos, esses perfumes, esses beijos infinitos,
Renasscerão de um abismo interdito às nossas sondas,
Como sobem ao céu os sóis rejuvenescidos
Depois de se terem lavado no fundo dos mares profundos?
– Ó juramentos! ó perfumes! ó beijos infinitos!
Charles Baudelaire
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-a-varanda-charles-baudelaire/
