O Jardineiro e seu Senhor

Fábula de Jean De La Fontaine Coleção As FábulasTemas Política, QuintaÉpoca Século XVII

Um amador de jardinagem,
Meio burguês, meio camponês,
Possuía em certa Aldeia
Um jardim bastante limpo, e o cercado ao lado.
Tinha de planta viva fechado essa extensão.
Lá crescia à vontade a azedinha e a alface,
Para fazer a Margot pela sua festa um ramo,
Pouco jasmim da Espanha, e muita serpilha.
Essa felicidade por uma Lebre perturbada
Fez que ao Senhor da Vila o nosso homem se queixasse.
“Este maldito animal vem comer a sua refeição
Noite e manhã, disse ele, e das armadilhas se ri;
As pedras, os paus perdem ali o seu crédito:
É Feiticeiro, creio. -Feiticeiro? eu o desafio,
Respondeu o Senhor. Fosse ele diabo, Miraut,
Apesar das suas artes, o apanhará em breve.
Eu o livrarei disso, bom homem, pela minha vida.
– E quando? – E amanhã mesmo, sem tardar mais tempo.”
A partida assim feita, ele vem com a sua gente.
“Ora, almocemos, disse ele: as vossas galinhas são tenras?
A filha da casa, que se veja, aproximai-vos:
Quando a casaremos? quando teremos genros?
Bom homem, é desta vez que é preciso, entendeis-me
Que é preciso esvaziar a bolsa.”
Dizendo estas palavras, ele faz conhecimento com ela,
Ao pé de si a faz sentar,
Pega uma mão, um braço, levanta um canto do lenço,
Todas tolices das quais a Bela
Se defende com grande respeito;
Tanto que ao pai por fim isso se torna suspeito.
Entretanto frita-se, corre-se à cozinha.
“De quando são os vossos presuntos? têm muito bom aspecto.
– Senhor, são para vós. – Verdade! diz o Senhor,Eu os recebo, e de bom coração.”
Ele almoça muito bem; também o faz a sua família,
Cães, cavalos, e lacaios, todos gente bem dentada:
Ele manda em casa do hóspede, toma liberdades,
Bebe o seu vinho, acaricia a sua filha.
O embaraço dos caçadores sucede ao almoço.
Cada um se anima e se prepara:
As trompas e os cornos fazem tal tintamarre
Que o bom homem fica espantado.
O pior foi que puseram em lastimoso estado
A pobre horta; adeus canteiros, quadros;
Adeus chicória e alhos-porros;
Adeus com que fazer a sopa.
A Lebre estava deitada debaixo de uma couve-mestra.
Procuram-na; lançam-na, ela foge por um buraco,
Não buraco, mas buraqueira, horrível e larga ferida
Que se fez à pobre sebe
Por ordem do Senhor; pois teria sido mal
Que não se pudesse do jardim sair todo a cavalo.
O bom homem dizia: “São jogos de Príncipe.”
Mas deixavam-no dizer; e os cães e as gentes
Fizeram mais estragos numa hora de tempo
Que teriam feito em cem anos
Todas as lebres da Província.

Pequenos Príncipes, esvaziai as vossas disputas entre vós:
De recorrer aos reis seríeis grandes loucos.
Nunca os deveis envolver nas vossas guerras,
Nem fazê-los entrar nas vossas terras.

Jean de La Fontaine

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/fabula-o-jardineiro-e-seu-senhor-jean-de-la-fontaine/