Um Ratinho muito jovem, e que nada tinha visto,
Quase foi apanhado de surpresa.
Eis como contou a aventura à sua mãe:
Tinha atravessado os Montes que limitam este Estado,
E trotava como um jovem Rato
Que procura dar largas à sua corrida,
Quando dois animais me prenderam os olhos:
Um doce, benigno e gracioso,
E o outro turbulento, e cheio de inquietação.
Tem a voz penetrante e rude,
Sobre a cabeça um pedaço de carne,
Uma espécie de braço com que se eleva no ar
Como para levantar voo,
A cauda em penacho estendida.
Ora era um Galo de que o nosso Ratinho
Fez à sua mãe o retrato,
Como de um animal vindo da América.
Batia, dizia ele, os flancos com os braços,
Fazendo tal ruído e tal fracasso,
Que eu, que graças aos Deuses, de coragem me pico,
Fugi de medo,
Maldizendo-o de muito boa vontade.
Sem ele teria feito conhecimento
Com aquele animal que me pareceu tão doce.
É aveludado como nós,
Malhado, longa cauda, uma humilde contenção;
Um olhar modesto, e contudo o olho luzente:
Creio-o muito simpatizante
Com os Senhores Ratos; pois tem orelhas
De figura às nossas parecidas.
Ia abordá-lo, quando com um som cheio de brilho
O outro me fez pôr em fuga.
– Meu filho, disse a Rata, esse meigo é um Gato,
Que sob o seu focinho hipócrita
Contra toda a tua parentela
De má vontade é levado.
O outro animal pelo contrário
Bem longe de nos fazer mal,
Servirá algum dia talvez às nossas refeições.
Quanto ao Gato, é sobre nós que ele funda a sua cozinha.
Guarda-te, enquanto viveres,
De julgar as pessoas pela aparência.
Jean de La Fontaine
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/fabula-o-galo-o-gato-e-o-ratinho-jean-de-la-fontaine/
