A Lebre e as Rãs

Fábula de Jean De La Fontaine Coleção As FábulasTemas Animais, MedoÉpoca Século XVII

Uma Lebre no seu covil cismava
(Pois que fazer num covil, a não ser cismar?);
Em profundo tédio esta Lebre mergulhava:
Este animal é triste, e o medo o corrói.
“As gentes de natural medroso
São, dizia ele, bem infelizes.
Não conseguem comer bocado que lhes aproveite;
Nunca um prazer puro; sempre assaltos diversos.
Eis como eu vivo: este medo maldito
Impede-me de dormir, senão de olhos abertos.
Corrigi-vos, dirá algum cérebro sábio.
E o medo corrige-se?
Creio mesmo que, de boa-fé,
Os homens têm medo como eu.”
Assim raciocinava a nossa Lebre,
E no entanto fazia sentinela.
Estava duvidoso, inquieto:
Um sopro, uma sombra, um nada, tudo lhe dava febre.
O melancólico animal,
Sonhando nesta matéria,
Ouve um leve ruído: foi-lhe um sinal
Para fugir para a sua toca.
Foi passar à beira de um tanque.
Rãs logo de saltar nas ondas;
Rãs de voltar às suas grutas profundas.
“Oh! disse ele, faço-as fazer outro tanto
Quanto me fazem fazer! A minha presença
Também assusta as gentes! Ponho o alarme no acampamento!
E de onde me vem esta valentia?
Como? Animais que tremem diante de mim!
Sou, pois, um trovão de guerra!
Não há, bem o vejo, tão poltrão sobre a terra
Que não possa encontrar um mais poltrão do que si.”

Jean de La Fontaine

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/fabula-a-lebre-e-as-ras-jean-de-la-fontaine/