A Lebre e a Tartaruga

Fábula de Jean De La Fontaine Coleção As FábulasTemas Animais, VidaÉpoca Século XVII

De nada serve correr; é preciso partir a tempo.
A Lebre e a Tartaruga disso são testemunho.
Apostemos, disse esta, que não atingireis
Tão cedo como eu esse fim. – Tão cedo? Estais no vosso juízo?
Retorquiu o animal ligeiro.
Comadre, precisais purgar-vos
Com quatro grãos de heléboro.
– Ajuizada ou não, aposto ainda.
Assim se fez: e de ambos
Se puseram junto ao fim as apostas:
Saber o quê, não é o caso,
Nem de que juiz se acordou.
A nossa Lebre tinha apenas quatro passos a dar;
Entendo daqueles que dá quando prestes a ser alcançada
Se afasta dos cães, os remete às calendas,
E os faz percorrer as charnecas.
Tendo, digo, tempo de sobra para pastar,
Para dormir, e para escutar
Donde vem o vento, deixa a Tartaruga
Ir ao seu passo de Senador.
Ela parte, ela esforça-se;
Ela apressa-se com lentidão.
Ele, porém, despreza tal vitória,
Tem a aposta por pouca glória,
Crê que vai na sua honra
Partir tarde. Ele pasta, ele repousa,
Ele diverte-se com qualquer outra coisa
Que não a aposta. Por fim, quando viu
Que a outra quase tocava o termo da carreira,
Partiu como uma flecha; mas os arranques que deu
Foram vãos: a Tartaruga chegou primeiro.
Ora bem! gritou-lhe ela, não tinha eu razão?
De que vos serve a vossa velocidade?
Eu, vencer! e que seria
Se trouxésseis uma casa?

Jean de La Fontaine

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/fabula-a-lebre-e-a-tartaruga-jean-de-la-fontaine/