19 de junho de 1837
Acudi depressa às nossas festas esplêndidas!
Aqui banquetes, ali concerto, acolá baile.
Os diamantes reluzem sobre as cabeças,
O vinho ruboriza as taças de cristal.
Este luxo altivo que por toda a parte se desenrola,
O povo vai pagá-lo em grossos tostões.
Municipais, ao longe afugentai a multidão.
Divirtamo-nos!
Que belo festim! iguarias preciosas e raras,
De que a peso de ouro se obteve cada pedaço,
Vinhos negociados nos cruéis mais avaros
E que o tempo selou com o seu selo…
Que é este ruído?… – Nada, é um proletário
Que morre de fome a poucos passos de vós.
– Um homem morto?… Isso é lamentável! Que o enterrem.
Embriaguemo-nos!
Eis frutos que no outono
O verão rouba a grande custo para estas refeições:
Ali, é o Ai cuja espuma efervescente
Segue a rolha que salta com estrondo…
Que é isto?… um petardo que a raiva eterna
Dos facciosos? – Não, não, tranquilizai-vos!
Um comerciante rebenta os miolos…
Embriaguemo-nos!
Duprez começa… Ó suaves maravilhas!
Alegres convidados, abandonai os vossos talheres.
É agora o ramalhete das orelhas;
Vai-se cantar por mil escudos de versos.
Que ária plangente chega até esta assembleia?…
Guarda, alerta! Levai para a prisão todos
Este mendigo que canta uma lamentação…
Embriaguemo-nos!
Mulheres, ao baile! A dança chama-vos;
Dos violinos ouvi os acordes.
Mas uma voz do alto interpela-nos.
Tremei! tremei! dançais sobre os mortos
Este solo maldito que a vossa valsa roça,
O coveiro pisava-o antes de nós…
Tanto melhor! a terra sob os nossos pés é mais mole.
Rebolei-vos!
Expulsemos para bem longe esta lúgubre imagem
Que do prazer vem deter o arranco.
Já empalidece sob outra nuvem
O nosso horizonte de adornos e de ouro.
É Waterloo… Ora essa, que nos importa!
Quando o estrangeiro puxou os ferrolhos
Viram-nos entrar por esta porta…
Rebolei-vos!
Então, a nossa festa é brilhante, talvez?
Custou novecentos e vinte mil francos.
Que resta dela? Nada… sobre uma janela,
Ao romper do dia, lampions moribundos.
Quando o sol iluminar o espaço,
Cem mobílias serão vendidas em hasta pública.
Depressa, aos executores, carruagens, abri caminho…
Afastemo-nos!
Michel Altaroche
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-a-festa-no-hotel-de-ville-michel-altaroche/
