A geada endurece as águas; o vento empalidece as nuvens.
A oriente do prado, no solo áspero
Está ali a subir e a tiritar, a enxada
Lamentável e nua.
– Faz uma cruz sobre o solo amarelo
Com a tua longa mão,
Tu que te vais, pelo caminho –
A choupana de humidade esverdeada
E as suas duas tílias fulminadas
E cinzas na lareira
E sobre o muro ainda o pedestal de gesso,
Mas a Virgem caída por terra.
– Faz uma cruz para as choupanas
Com a tua longa mão de paz e de luz –
Sapos mortos nas rochas infinitas
E peixes nos juncos
E depois um grito sempre mais pobre e lento de ave,
Infinitamente, lá longe, um grito em agonia.
– Faz uma cruz com a tua mão
Piedosa, sobre o caminho –
Na lucarna vazia do estábulo
A aranha teceu a estrela de poeira;
E a quinta sobre o rio,
Por entre os seus colmos lamentáveis,
Como braços de mãos cortadas,
Cruza as suas traves de parte a parte.
– Faz uma cruz sobre o amanhã,
Definitiva, com a tua mão –
Uma dupla fila de árvores e de troncos nus estão abatidos,
Ao longo das estradas em derrota,
As aldeias – nem sequer sinos para lá soar
O soluçante dies irae
Desesperado, para o eco vazio e as suas bocas quebradas.
– Faz uma cruz nos quatro cantos dos horizontes.
Pois é o fim dos campos e é o fim das tardes;
O luto no fundo dos céus gira, como mós,
Os seus sóis negros;
E larvas eclodem sozinhas
Nos flancos podres das mulheres que morreram.
A oriente do prado, no solo áspero,
Sobre o cadáver esparso das velhas lavouras,
Domina ali, e para sempre,
Placa de ferro claro, ripa de madeira fria,
A enxada.
Emile Verhaeren
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-a-enxada-emile-verhaeren/
