Escrito na primeira página de um livro de Joseph de Maistre

Poema de Victor Hugo Temas Política, ReligiãoÉpoca Século XIX

Catedral monstro! Construída
Contra o direito e o dever!
Plano inclinado. A sacristia,
Escorregadia, torna-se o matadouro.

Aqui os círios, ali as tochas.
Neste templo, para dois fins construído,
Justapõem-se os dois pórticos
Da luz e da noite.

Falsa luz e noite real.
A sombra de Roma sobre Paris.
Uma águia tendo na ponta da asa
Garras de morcego.

Uma lógica espantosa
Inventa, ó povo sem vingadores,
Um Reims estranho de dupla mesa
Onde estão sentados os teus dois devoradores.

Os dois negros seres que te roem,
O magnífico e o hediondo,
Bebem o teu sangue juntos, e sonham,
Com o seu padre ao lado deles.

Dupla capela, e duplo apóstolo.
Bonald numa, altivo zero,
Coro a o príncipe, e, na outra,
De Maistre sagra o carrasco.

O horror ao império está misturado.
Estendeu-se sobre o trono
Uma púrpura coagulada
Que do cadafalso escorreu.

Um homem reina, um homem ceifa;
Seja. Sempre acreditei que se veria
Casar-se da mão esquerda
A espada com a guilhotina.

Victor Hugo

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-escrito-na-primeira-pagina-dum-livro-de-joseph-de-maistre-victor-hugo/