Canção de louco (3)

Poema de Emile Verhaeren Época Século XIX

Quebrai-lhes as patas e as vértebras,
Enxotai os ratos, os ratos.
E depois vertei trigo negro,
À noite,
Nas trevas.

Outrora, quando o meu coração se quebrou,
Uma mulher apanhou-o
Para o dar aos ratos.

– Quebrai-lhes as patas e as vértebras.

Muitas vezes os vi na lareira,
Manchas de tinta entre o reboco,
A roer a minha morte.

– Quebrai-lhes as patas e as vértebras.

Um deles, eu senti-o
Trepar sobre mim pela noite,
E morder ainda o fundo do buraco
Que fez, no meu peito,
O arrancar do meu coração louco.

– Quebrai-lhes as patas e as vértebras.

Na minha cabeça os ventos passam,
Os ventos que passam sob a porta,
E os ratos negros de alto a baixo
Povoam a minha cabeça morta.

– Quebrai-lhes as patas e as vértebras.

Pois ninguém sabe mais nada.
E que importam o mal, o bem,
Os ratos, os ratos estão lá, aos montes,
Dizei, verteis vós, esta noite,
O trigo negro,
A cheias mãos, nas trevas?

Emile Verhaeren

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-cancao-de-louco-3-emile-verhaeren/