Gosto da aranha

Poema de Victor Hugo Coleção As ContemplaçõesTemas InsetosÉpoca Século XIX

Gosto da aranha e gosto da urtiga,
Porque as odeiam;
E porque nada as atende e tudo as castiga
No seu morno desejo;

Porque são malditas, mirradas,
Negros seres rastejantes;
Porque são as tristes cativas
Da sua emboscada;

Porque estão presas na sua obra;
Ó sorte! nós fatais!
Porque a urtiga é uma cobra,
A aranha um mendigo;

Porque têm a sombra dos abismos,
Porque delas se foge,
Porque são ambas vítimas
Da noite escura…

Transeuntes, poupai a planta obscura,
Ao pobre animal.
Lamentai a fealdade, lamentai a picada,
Oh! lamentai o mal!

Nada há que não tenha a sua melancolia;
Tudo quer um beijo.
No seu feroz horror, basta que nos esqueçamos
De as esmagar,

Basta que lhes lancemos um olhar menos soberbo,
Bem baixo, longe do dia,
O vil animal e a erva má
Murmuram: Amor!

Victor Hugo

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-gosto-da-aranha-victor-hugo/