Estâncias – Como me apraz ver

Poema de Alfred De Musset Coleção Primeiras PoesiasÉpoca Século XIX

Como me apraz ver, no vale
Desolado,
Erguer-se como um mausoléu
As quatro asas de um negro mosteiro!
Como me apraz ver, junto ao austero
Mosteiro,
No umbral do barão feudatário,
A cruz branca e o aspersório!

Vós, dos antigos Pirinéus
As mais velhas,
Velhas igrejas descarnadas,
Magros e tristes monumentos,
Vós que o tempo não pôde dissolver,
Nem o raio,
De alguns grandes montes reduzidos a pó
Não sois vós os ossamentos?

Amo as vossas torres de cabeça grisalha,
Onde se quebra
O relâmpago que passa com a brisa,
Amo as vossas profundas escadarias
Que, girando nas entranhas
Das muralhas,
Ao hino estridente das ovelhas
Fazem responder todos os pilares!

Oh! quando a tempestade que ganha
O campo,
Pega pelos cabelos a montanha,
Que o tempo de outono amarelece,
Como me apraz, no bosque que grita
E se dobra,
Os velhos campanários da abadia,
Como duas árvores de granito!

Como me apraz ver, nas vésperas
Púrpuras,
Jorrar em veias matizadas
Os rosáceos de ouro dos conventos!
Oh! como me apraz, nas abóbadas góticas
Dos pórticos,
Os velhos santos de pedra atléticos
Rezando baixinho pelos vivos!

Alfred De Musset

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-estancas-como-me-apraz-ver-alfred-de-musset/