Canção de embalar

Poema de Charles Cros Coleção O cofrezinho de sândaloÉpoca Século XIX

Ao conde de Trévelec

Adormeçamos, gato preto pequeno.
Eis que pus o abafador
Sobre a vela.
Vais pensar em pássaros
No bosque, em focinhos felinos…
Eu sonhar com Ela.

Não tomámos café,
E, na nossa cama bem aquecida
(Quem vela chora.)
Dormiremos, patas nos braços.
Enquanto tu ronronares,
Esquecerei a hora.

Sob os teus olhos finos, pesados,
Brilharão de novo os idílios
Da caleira.
Como todas as noites, julgarei
Vê-la, que fria rasgou
Toda a minha vida.

E o teu pesadelo sobre os telhados
Dir-te-á o horror de sermos três
Num idílio.
Sofrerei os olhos zombeteiros
Do seu falso primo, e as suas lágrimas
De crocodilo.

Se acordares sobressaltado,
Arranhado, mordido, caindo do alto
Do telhado, eu mesmo
Morrerei sob o golpe traiçoeiro
De uma espada na ponta do braço comprido
Do babaca que ela ama.

Depois, fora da cama, na manhã cinzenta,
Procuraremos, tu, ratos,
Eu, líquidos
Que nos façam esquecer tudo,
Pois, no fundo, o homem e o gato
São bem estúpidos.

Charles Cros

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-cancao-de-embalar-charles-cros/