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Poema de Victor Hugo Época Século XIX

Eu dizia comigo: — Este homem será um saltimbanco?
Não haverá que o lamentar? Faltar-lhe-á algum sentido?
Não compreenderá ele então? Será um cego de nascença?
Um gago? Um surdo? Donde vem que este triste obstinado
Desconheça todo o génio e toda a glória, e rasteje,
Tentando apagar o astro e soprar a lâmpada,
E rasgue, denigra, insulte, fira, prejudique,
E sobre toda a claridade vá babando a noite? —

Agora vi-te de perto, ó miserável;
Vi teu olho, tuas costas, tua espinha, teu lombo,
Teu crânio chato, teu ventre odioso; e com o dedo
Asmodeu levantou o teto de tua casa;
Vi-te arrastar-te, ébrio e triste; e, feroz,
Arrancar em brincadeira as asas de uma mosca.
Vi teu riso, ai! Não vi tuas lágrimas.
Vi-te odiar a aurora, e caminhar sobre as flores,
E sem cessar esmagar a vida à tua passagem;
E bater nas crianças, e cuspir na face
Desta rapariga a quem dás quinze sous;
Vi tuas vestes na imundície dissolvidas;
Vi teu coração sem Deus, teu quarto sem bacia;
Vi-te irritar-te ao canto de uma toutinegra,
Sempre franzir a testa, sempre cerrar o punho;
E compreendi por que não compreendias.

Victor Hugo

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-a-victor-hugo/