À música

Poema de Arthur Rimbaud Coleção PoesiasTemas SátiraÉpoca Século XIX

Place de la Gare, em Charleville.

Na praça talhada em mesquinhas relvas,
Square onde tudo é correto, as árvores e as flores,
Todos os burgueses ofegantes que as calores sufocam
Trazem, às quintas-feiras à noite, as suas tolices invejosas.

– A orquestra militar, ao meio do jardim,
Balança os seus shakos na Valsa dos pífaros:
Em volta, nas primeiras filas, desfila o janota;
O notário pendura-se nas suas berloques com cifras.

Rentistas de luneta sublinham todos os desafinos:
Os grandes escritórios inchados arrastando as suas gordas damas
Junto das quais vão, oficiosos cornacas,
Aquelas cujos folhos têm ares de reclamos;

Nos bancos verdes, clubes de merceeiros reformados
Que remexem a areia com a sua bengala de castão,
Muito seriamente discutem os tratados,
Depois tomam rapé em prata, e retomam: “” Enfim!… “”

Espantoso no seu banco as redondezas dos seus rins,
Um burguês de botões claros, barriga flamenga,
Saboreia o seu onnaing de onde o tabaco em fios
Transborda – sabem, é de contrabando; –
Ao longo dos verdes relvados riem os vadios;
E, tornados amorosos pelo canto dos trombones,
Muito ingénuos, e fumando rosas, os soldadinhos
Acariciam os bebés para enganar as criadas…

– Eu, estou, desalinhado como um estudante,
Sob os castanheiros verdes as alertas raparigas:
Elas sabem-no bem; e voltam a rir,
Para mim, os seus olhos cheios de coisas indiscretas.

Não digo uma palavra: olho sempre
A carne dos seus pescoços brancos bordados de madeixas loucas:
Sigo, sob o corpete e os frágeis atavios,
O dorso divino após a curva dos ombros.

Depressa desencantei a botinha, a meia…
– Reconstruo os corpos, queimado de belas febres.
Elas acham-me engraçado e falam entre si baixinho…
– E sinto os beijos que me vêm aos lábios…

Arthur Rimbaud

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-a-musica-arthur-rimbaud/