A musa venal

Poema de Charles Baudelaire Coleção As Flores do MalTemas ArteÉpoca Século XIX

Ó musa do meu coração, amante dos palácios,
Terás tu, quando Janeiro soltar os seus Bóreas,
Durante os negros enfados das enevoadas noites,
Um tição para aquecer os teus dois pés violetas?

Reanimarás então os teus ombros marmóreos
Aos nocturnos raios que atravessam as portadas?
Sentindo a tua bolsa a seco tanto como o teu palácio,
Recolherás o ouro das abóbadas azuladas?

Precisas tu, para ganhar o teu pão de cada noite,
Como um menino do coro, tocar o incensório,
Cantar Te Deum em que tu pouco crês,

Ou, saltimbanco em jejum, ostentar os teus encantos
E o teu riso molhado de lágrimas que não se vêem,
Para fazer florescer o baço do vulgo.

Charles Baudelaire

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-a-musa-venal-charles-baudelaire/