Lembras-te?

Poema de Jules Barbey d'Aurevilly Coleção PoussièresÉpoca Século XIX

Lembras-te da noite, em que junto à janela
Aberta de um salão cheio de alegres folguedos,
Não tinhas dezasseis anos… tinha-los?… talvez…
Sob a cortina caída, falávamos baixinho?…
Não era o amor que a minha boca te exprimia,
Meu coração era velho demais, gelado demais, altivo demais
Para falar ao teu coração; mas, profeta feroz,
Eu predizia o teu destino.

E tu, escutavas-me, apoiada na grade;
Mostravas-me a nuca, escondendo-me a fronte,
E ficavas muda à cruel ideia
Daquele primeiro amor que, tendo-te possuído,

Se tornará minha última afronta!
Noite, céu, jardim, maciços, lá fora tudo era sombrio,
E tu olhavas para essa escuridão.
Mas o teu coração de dezasseis anos tinha ainda mais sombra
E ali, como lá fora, nada podias ver!

Mas eu, eu via! os meus olhos rasgavam o véu
Que te escondia o teu porvir,
E eu via ao longe erguer-se a medonha estrela
Daquele primeiro amor que por ti deve chegar!
Dizia-te então: «Ele vai em breve aparecer
Aquele que tomará de autoridade os teus dias!
Mas eu que não quero ver-te submeter a um senhor,
Terei desaparecido para sempre!»

Está feito… Saí agora da tua vida
Sem te ter dito o adeus que se diz quando se parte;
Silenciosamente levo a minha loucura…
Para ser amado de ti, vim demasiado tarde.
Não me traíste. Nada tenho a dizer-te…
O que houve entre nós, é a Fatalidade.
De nenhuma ilusão tiveste sobre mim o império,
Senão a da tua altivez!

Tê-la-ia eu exaltado o suficiente
Para resistir ao teu futuro vencedor?
Julguei tê-la plantado
Bem fundo no teu coração demasiado fraco?
Tinha pois posto demasiado alto a tua alma.
Em ti altivez? não! nem mesmo orgulho!
Poderias tu ser mais que uma mulher?
Os braços fechados sobre ti são para mim o teu caixão.
E se, diante dos meus olhos, numa dessas noites talvez,
Passares, arrastando todos os corações atrás de ti,
Não baixes os teus; ? pois fizeste-me conhecer
Esse género de desprezo que nem sequer vê!…

Jules Barbey d’Aurevilly

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-lembraste-jules-barbey-d-aurevilly/