Sobre a terra das quimeras
O nosso voo parou:
Conduz-nos em segurança
Para atravessar estes urzais,
Estes rochedos, este campo devastado.
Vê estas árvores que se apressam
E se dobram rapidamente;
Vê estas rochas que se abaixam
A tremer no seu alicerce.
Por todo o lado o vento sopra e grita!
Nestes rochedos, com fúria,
Se misturam rio e ribeiro;
Ouço ali o ruído da água,
Tão caro à devaneio!
Os suspiros, os votos flutuantes,
O que se lamenta, o que se adora…
E o eco ressoa ainda
Como a voz dos velhos tempos,
Ou hu! chu hu! retumbam;
Garças e mochos gemem,
Misturando a sua triste canção;
Vê-se de cada arbusto
Surgir estranhas raízes;
Magros braços, longas espinhas;
Ventres rolosos e rastejantes;
Entre os rochedos, as ruínas,
Fervilham vermes e serpentes.
A nós que se entrelaçam
Cada passo vem prender-se!
Lá ratos vão e passam
No musgo do rochedo.
Lá moscas fugitivas
Nos precedem aos milhares,
E de faíscas mais vivas
Iluminam os caminhos.
Mas será que neste lugar
Devemos avançar ou ficar?
Em redor de nós tudo ameaça,
Tudo se agita, luz e faz caretas,
Para ferir, para enganar;
Árvores e rochedos são pérfidos;
Estes fogos, trémulos e rápidos,
Brilham sem nos iluminar!…
Gérard de Nerval
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-sobre-a-terra-das-quimeras-gerard-de-nerval/
