Paisagem

Poema de Charles Baudelaire Coleção As Flores do MalTemas NaturezaÉpoca Século XIX

Quero, para compor castamente as minhas éclogas,
Deitar-me junto do céu, como os astrólogos,
E, vizinho dos campanários, escutar sonhando
Os seus hinos solenes levados pelo vento.
Com as duas mãos ao queixo, do alto da minha mansarda,
Verei a oficina que canta e que tagarela;
As chaminés, os campanários, esses mastros da cidade,
E os grandes céus que fazem sonhar com a eternidade.

É doce, através das brumas, ver nascer
A estrela no azul, a lâmpada à janela,
Os rios de carvão subir ao firmamento
E a lua derramar o seu pálido encanto.
Verei as primaveras, os verões, os outonos;
E quando chegar o inverno das neves monótonas,
Fecharei por todo o lado portas e postigos
Para construir na noite os meus palácios feéricos.
Então sonharei horizontes azulados,
Jardins, jactos de água chorando nos alabastros,
Beijos, pássaros cantando noite e manhã,
E tudo o que a Idílio tem de mais infantil.
O Motim, tempestejando em vão à minha vidraça,
Não fará levantar a minha fronte da minha escrivaninha;
Pois estarei mergulhado nessa volúpia
De evocar a Primavera com a minha vontade,
De tirar um sol do meu coração, e de fazer
Dos meus pensamentos ardentes uma tépida atmosfera.

Charles Baudelaire

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-paisagem-charles-baudelaire/