A uma jovem

Poema de Charles Cros Coleção O cofrezinho de sândaloÉpoca Século XIX

Porque, de repente, quando tocas,
Essas árias comovidas e inquietas?
Quem te põe esta febre nos olhos,
Este rosa marmoreado nas faces?

A tua vida era, até ao momento
Em que estas vagas langores te tomaram,
Um riacho que a brisa roçava,
Um matinal chilrear.

*

Como a tua beleza se revela
Acima de toda a beleza,
Como o teu coração parece arrebatado
Para uma existência nova,

Como em místicos ardores
Deixas pairar alto a tua alma.
Como sentes nascer em ti a mulher
Com estes primaveris odores,

Talvez o destino
Te mostre um caminho glorioso;
Talvez a tua mão nervosa
Leve a terra acorrentada.

*

Com certeza não serás
Esposa feliz, mãe meiga;
Nenhum apego vulgar
Te pode reter em baixo.

*

Tens influxos de vitória
Nos teus belos olhos claros, cheios de orgulho,
Como no seu virginal olhar
Joana d’Arc, de alta memória?

Deves fundar ordens santas,
Ser mártir ou profetisa?
Ou então escutar a acre embriaguez
Do sangue vivo que te incha os seios?

Deves, rainha, construir cidades
De inesquecíveis esplendores,
E por esses vagos ares amuados
Fazer tremer as multidões vis?

*

Vai, pois! tudo se dobrará sob os teus passos,
Sejas a virgem ideal
Ou a cortesã fatal…
Se a morte te não detiver.

Charles Cros

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-a-uma-jovem-charles-cros/