Festas da Fome

Poema de Arthur Rimbaud Coleção Últimos versosTemas SaúdeÉpoca Século XIX

Minha fome, Ana, Ana,
Foge na tua burra.

Se tenho gosto, é apenas
Pela terra e pelas pedras.
Dinn! dinn! dinn! dinn! Comamos o ar,
O rochedo, os carvões, o ferro.

Minhas fomes, rodai. Pastai, fomes,
O prado dos sons!
Atraí o alegre veneno
Das corriolas;

Comei
As pedrinhas que um pobre quebra,
As velhas pedras da igreja,
Os seixos, filhos dos dilúvios,
Pães deitados nos vales cinzentos!

Minhas fomes, são os pedaços de ar negro;
O azul que soa;
– É o estômago que me puxa.
É a desgraça.

Sobre a terra apareceram as folhas!
Vou às carnes de fruta madura.
No seio do sulco colho
A docelina e a violeta.

Minha fome, Ana, Ana!
Foge na tua burra.

Arthur Rimbaud

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-festas-da-fome-arthur-rimbaud/