A Valognes

Poema de Jules Barbey d'Aurevilly Coleção PoussièresÉpoca Século XIX

Ex imo.

….. Era na cidade adorada
Sarcófago para mim das primeiras recordações,
Onde em criança eu tinha, na minha alma embriagada
Sonhado essas loucuras felizes que ficam sendo desejos!
Era ali… que numa tarde, numa rua,
Que um sol de agosto, com a sua luz espessa,
Feria o branco lajedo deserto, ? que ela passou,
E que em mim, nos seus passos, todo o meu coração se lançou!
Ela passou, encantadora de não se crer,
Pois dizem-na feia aqui, ? gente estúpida!
Túnica branca ao vento sobre um vestido negro,
Ela era para os meus jogos como um vaso elegante
Incrustado de ébano e de marfim!
Eu segui-a… ? O teu coração não te disse em voz baixa

Que alguém te seguia, inocente divina,
E punha… punha, passo por passo,
A sua bota onde caía a tua botina?…
Quem sabe? Deus esculpiu-te talvez para o amor,
Ó esbelto vaso humano, erguido sobre a tua base!
Porque não és tu, ó Vaso!
A urna deste coração morto que fizeste bater um dia!

Agosto de 1875.

Jules Barbey d’Aurevilly

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-a-valognes-jules-barbey-d-aurevilly/