Cada um tem seu defeito, ao qual sempre regressa:
Nem vergonha nem medo o remediam.
Sobre isto, de um conto me recordo:
Nada digo que não apoie
Com algum exemplo. Um servo de Baco
Arruinava a saúde, o espírito e a bolsa.
Tais pessoas não fizeram metade do seu caminho
Quando já estão no fim dos seus escudos.
Um dia em que este, cheio do suco da vinha,
Deixara os sentidos no fundo de uma garrafa,
Sua mulher encerrou-o num certo túmulo.
Lá os vapores do vinho novo
Fermentaram à vontade. Ao acordar, encontra
O aparato da morte ao redor do seu corpo:
Um círio, um lençol dos mortos.
Oh! disse ele, que é isto? Estará minha mulher viúva?
Então, sua esposa, em traje de Alecto,
Mascarada e disfarçando o tom da sua voz,
Vem ter com o pretenso morto, aproxima-se da sua tumba,
Apresenta-lhe um caldo próprio para Lúcifer.
O Esposo então não duvida de maneira alguma
Que não seja cidadão do inferno.
Que pessoa és tu? diz ele a esse fantasma.
– A despenseira do reino
De Satanás, respondeu ela; e levo de comer
Àqueles que encerra a tumba negra.
O Marido replica sem pensar:
Não lhes levas nada de beber?
Jean de La Fontaine
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/fabula-ebrio-e-sua-mulher-jean-de-la-fontaine/
