O Cavalo que se Quis Vingar do Veado

Fábula de Jean De La Fontaine Coleção As FábulasTemas AnimaisÉpoca Século XVII

De todo o tempo os Cavalos não nasceram para os homens.
Quando o género humano de glande se contentava,
Asno, Cavalo e Mula, nas florestas habitava;
E não se via, como no século em que estamos,
Tantas selas e tantos albardões,
Tantos arreios para os combates,
Tantas cadeiras, tantas carruagens,
Como também não se viam
Tantos festins e tantos casamentos.
Ora um Cavalo teve então diferendo
Com um Veado cheio de rapidez,
E não podendo apanhá-lo correndo,
Recorreu ao Homem, implorou a sua destreza.
O Homem pôs-lhe um freio, saltou-lhe para as costas,
Não lhe deu descanso
Até que o Veado fosse preso, e lá deixasse a vida;
E isso feito, o Cavalo agradece
Ao Homem seu benfeitor, dizendo: Sou vosso;
Adeus. Regresso à minha morada selvagem.
– Não é isso, disse o Homem; faz-se melhor em nossa casa:
Vejo demasiado qual é o vosso uso.
Ficai pois; sereis bem tratado.
E até à barriga na manjedoura.
Ai! de que serve a boa comida
Quando não se tem a liberdade?
O Cavalo apercebeu-se de que tinha feito loucura;
Mas já não era tempo: a sua estrebaria
Estava pronta e toda construída.
Morreu nela arrastando o seu liame.
Sábio se tivesse relevado uma leve ofensa.
Qualquer que seja o prazer que causa a vingança,
É comprá-la demasiado caro, comprá-la com um bem
Sem o qual os outros nada são.

Jean de La Fontaine

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/fabula-o-cavalo-que-se-quis-vingar-do-veado-jean-de-la-fontaine/