Tende cuidado, meus filhos, aproximai-vos menos da margem,
segui o fundo do rio;
receai a linha assassina,
ou o gavião, ainda mais perigoso.
Assim falava uma carpa do Sena
a jovens peixes que mal a escutavam.
Era no mês de abril; as neves, os blocos de gelo,
derretidos pelos zéfiros, desciam das montanhas;
o rio inchado por eles eleva-se em grossas borbulhas,
e transborda pelas campinas.
Ah! Ah! Gritavam os carpinzinhos,
que dizes tu, carpa caduca?
Receias por nós os anzóis?
Eis-nos cidadãos do mar tempestuoso;
olha: já não se vê senão as águas e o céu,
as árvores estão escondidas sob a onda,
somos os donos do mundo,
é o dilúvio universal.
Não creiais nisso, responde a velha mãe;
para que a água se retire basta um instante.
Não vos afasteis, e, por medo de acidente,
segui, segui sempre o fundo do rio.
Ba! Dizem os peixes, repetes sempre
os mesmos discursos.
Adeus, vamos ver o nosso novo domínio.
Dizendo isto, os nossos estouvados
saem todos do leito do Sena,
e vão-se pelas águas que cobrem o país.
Que aconteceu? As águas retiraram-se,
e os carpinzinhos ficaram;
logo foram apanhados,
e fritos.
Porque deixavam eles o rio?
Porquê? Bem o sei, ai de mim!
É que sempre nos julgamos mais sábios que a mãe,
é que queremos sair da nossa esfera,
é que… é que… nunca acabaria.
Florian
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/fabula-a-carpa-e-os-carpinzinhos-jean-pierre-claris-de-florian/
