A minha mãe.
A ferida está contra uma almofada
Empapada do sangue da ferida
Que ela traz por baixo do seio.
Como é branca! O médico
Não tem uma só palavra que sossegue.
Aqueles que a amam, dizem: «Esta noite,
Estará viva ou morta?»
Os pobres de quem ela é a esperança
Olham pelo buraco da porta.
Ó França, assim os teus dias alegres
Tinham fugido na noite profunda.
Assim nós julgámos os teus olhos
Para sempre fechados para o mundo.
A ferida está salva e dorme
No seu leito branco, muito emagrecida.
Ela roçou de perto a morte;
Proíbem-lhe de falar alto,
Receiam mesmo que ela se ria.
Mas lá fora um vento amornado
Verdeja já as negras cimas.
Como ela se aborrece, ao meio-dia,
Das tisanas e dos regimes!
Ó França, assim os teus dias alegres
Tinham fugido na noite profunda;
Mas a aurora renasce e os teus olhos
Entreabriram-se sobre o mundo.
A ferida enfim esta manhã
Iludiu a sua enfermeira.
Parte com um passo incerto.
Quis sentir o tomilho
Naquele atalho que ela sobe.
Os seus braços já não são tão franzinos.
Está mais forte. «Oh! a pradaria!»
Colhe e põe centáureas
Nos seus cabelos. Está curada!
Ó França, assim os teus dias alegres
Tinham fugido na noite profunda.
Mas, eis o sol! Os teus olhos
Permanecem bem abertos sobre o mundo.
Charles Cros
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-a-ferida-charles-cros/
