Júpiter disse um dia: «Que tudo o que respira
Venha comparecer aos pés da minha grandeza:
Se no seu composto alguém encontrar defeito,
Pode declará-lo sem medo;
Porei remédio à coisa.
Vem, Macaco; fala primeiro, e com razão.
Vê estes animais, faz comparação
Das suas belezas com as tuas.
Estás satisfeito? – Eu? disse ele, porque não?
Não tenho eu quatro patas tão bem como os outros?
O meu retrato até aqui nada me censurou;
Mas quanto ao meu irmão Urso, só foi esboçado:
Nunca, se me quiser crer, ele se fará pintar.»
O Urso vindo a seguir, pensou-se que se ia queixar.
Longe disso: da sua forma muito se louvou
Glosou sobre o Elefante, disse que se poderia ainda
Acrescentar à sua cauda, tirar das suas orelhas;
Que era uma massa informe e sem beleza.
O Elefante tendo sido escutado,
Todo sábio que era, disse coisas semelhantes.
Julgou que para o seu apetite
Dona Baleia era demasiado gorda.
Dona Formiga achou o Ácaro demasiado pequeno,
Considerando-se, para si, um colosso.
Júpiter os despediu tendo-se censurado todos,
De resto, contentes consigo; mas entre os mais loucos
A nossa espécie excelou; pois tudo o que somos,
Lince para com os nossos semelhantes, e Toupeiras para connosco,
Perdoamos tudo a nós, e nada aos outros homens:
Vê-se com outro olho que não se vê o próximo.
O Fabricador soberano
Criou-nos Alforjeiros todos da mesma maneira,
Tanto os do tempo passado como do tempo de hoje:
Fez para os nossos defeitos o bolso de trás,
E o da frente para os defeitos dos outros.
Jean de La Fontaine
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/fabula-a-alforje-jean-de-la-fontaine/
