A Cotovia e os Seus Filhotes com o Dono de um Campo

Fábula de Jean De La Fontaine Coleção As FábulasTemas AnimaisÉpoca Século XVII

De ti só deves esperar, é um provérbio comum.
Eis como Esopo o pôs
Em crédito.
As cotovias fazem o seu ninho
Nos trigais, quando estão em erva,
Isto é, mais ou menos no tempo
Em que tudo ama e tudo pulula no mundo:
Monstros marinhos no fundo da onda,
Tigres nas florestas, cotovias nos campos.
Uma, porém, destas últimas
Deixara passar metade de uma Primavera
Sem saborear o prazer dos amores primaveris.
A todo o custo, enfim, resolveu-se
A imitar a Natureza, e a ser mãe ainda.
Ela constrói um ninho, põe, choca, e faz eclodir
À pressa; tudo correu o melhor que pôde.
Os trigos em redor maduros antes que a ninhada
Se achasse bastante forte ainda
Para voar e tomar o ar,
De mil cuidados diversos a Cotovia agitada
Vai buscar pasto, avisa os seus filhos
De estarem sempre de vigia e fazer sentinela.
Se o possuidor destes campos
Vem com o seu filho (como virá), diz ela,
Escutai bem; conforme o que ele disser,
Cada um de nós levantará o voo.
Assim que a Cotovia deixou a sua família,
O possuidor do campo vem com o seu filho.
Estes trigos estão maduros, diz ele: ide a casa dos nossos amigos
Pedir-lhes que cada um, trazendo a sua foice,
Nos venha ajudar amanhã desde o romper do dia.
A nossa Cotovia de regresso
Encontra em alarme a sua ninhada.
Um começa: Ele disse que, levantada a Aurora,
Se fizessem vir amanhã os seus amigos para o ajudar…
– Se só disse isso, retorquiu a Cotovia,
Nada nos apressa ainda a mudar de retiro;
Mas é amanhã que é preciso escutar a sério.
Entretanto sede alegres; eis de que comer.
Eles saciados, tudo adormece, os pequenos e a mãe.
A alba do dia chega; e amigos, nem um só.
A Cotovia ao voo, o Dono vem fazer
A sua ronda como de costume.
Estes trigos não deveriam, diz ele, estar de pé.
Os nossos amigos têm grande culpa, e culpa quem se apoia
Em tais preguiçosos, a servir assim lentos.
Meu filho, ide a casa dos nossos parentes
Pedir-lhes a mesma coisa.
O pavor está no ninho mais forte que nunca.
Ele disse os seus parentes, mãe, é a esta hora…
– Não, meus filhos, dormi em paz;
Não saiamos da nossa morada.
A Cotovia teve razão, pois ninguém veio.
Pela terceira vez o Dono se lembrou
De visitar os seus trigos. O nosso erro é extremo,
Diz ele, de contarmos com outras pessoas que não nós.
Não há melhor amigo nem parente que si mesmo.
Retende bem isto, meu filho; e sabeis
O que é preciso fazer? É preciso que com a nossa família
Tomemos desde amanhã cada um uma foice:
É este o nosso caminho mais curto, e acabaremos
A nossa colheita quando pudermos.
Logo que este desígnio foi sabido da Cotovia:
É desta vez que é bom partir, meus filhos.
E os pequenos, ao mesmo tempo,
Voando, cambalhotando,
Desalojaram todos sem trombeta.

Jean de La Fontaine

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/fabula-a-cotovia-e-os-seus-filhotes-com-o-dono-de-um-campo-jean-de-la-fontaine/