Em certos países da Ásia
veneram-se os elefantes,
sobretudo os brancos.
Um palácio é a sua cavalariça,
servem-nos em vasos de ouro,
todo homem à sua vista se inclina para a terra,
e os povos fazem a guerra
para arrebatar tão belo tesouro.
Um desses elefantes, grande pensador, boa cabeça,
quis saber um dia de um dos seus condutores
o que lhe valia tantas honras,
já que, no fundo, como qualquer outro, não era senão um animal.
Ah! Responde o cornaca, é demasiada humildade;
conhece-se a vossa dignidade,
e toda a Índia sabe que, ao sair da vida,
as almas dos heróis que a pátria amou
vão habitar algum tempo
nos corpos dos elefantes brancos.
Os nossos talapoins disseram-no, assim a coisa é certa.
-Quê! Vós credes que somos heróis?
-Sem dúvida. -E sem isso estaríamos em repouso,
goza ndo nos bosques os bens da natureza?
-Sim, senhor. -Meu amigo, deixa-me então partir,
pois enganaram-te, asseguro-te;
e, se quiseres refletir,
verás em breve a impostura:
somos orgulhosos e carinhosos;
moderados, embora todo-poderosos;
não nos vêem fazer injúria
a mais fraco que nós; o amor no nosso coração
recebe leis do pudor;
apesar do favor em que estamos,
as honras nunca alteraram as nossas virtudes:
que provas são precisas de mais?
Florian
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/fabula-o-elefante-branco-jean-pierre-claris-de-florian/
