Ao passar na Place Louis XV num dia de festa pública

Poema de Victor Hugo Coleção Os Raios e as SombrasÉpoca Século XIX

XXV

AO PASSAR NA PLACE LOUIS XV NUM DIA DE FESTA PÚBLICA

— Vamos, disse ela, ainda! Porquê essa fronte curvada?
Cismático, eis-te de novo caído no teu poço!
De que serve vir a uma festa para sonhar?
Eu, disse-lhe eu, enquanto ela inclinava a cabeça,
E que o seu braço encantador no meu braço se apoiava:
— Sim, é nesta praça onde a nossa idade inquieta
Pôs uma pedra a fim de esconder uma ideia,
É bem aqui que um dia de sol inundada,
A grande nação na grande cidade
Veio ver passar em pompa uma doce beleza!
Anjo a quem se sonhavam asas recolhidas!
Virgem ainda na véspera, das jovens casadas
Tendo o espanto e a fresca palidez,
Que, rainha e mulher, estrela ao mesmo tempo que flor,
Unia, para encantar essa multidão enternecida,
O doce nome de Antoinette ao belo nome de Marie!

O seu príncipe seguia-a, sorriam entre si,
E todos ao vê-la diziam: Como ele é feliz! —

E eu calei-me então, pois o meu coração estava sombrio;
Deixando-a contemplar a festa de ruídos sem número,
O rio onde se cruzavam cem barcos embandeirados,
O povo, os velhos à sombra repousados,
Os escolares brincando em bandos separados,
E o sol tranquilo, e, de alegria embriagadas,
As bocas que, cobrindo a orquestra de vagos sons,

Lançavam um vapor de confusas canções.

Eu, para o que se move numa sombra eterna,
Tinha-me voltado. A alma é uma pupila.

— Oh! pensava eu, poder estranho e sobre-humano
Daquele que nos tem palpitantes na sua mão!
Ó vontade do céu! abismo onde o olho se afoga!
Golfo onde desde Adão o género humano rodopia!
Como nos tomais e nos rejeitais!
Como jogais com as nossas prosperidades!
Sobre a vossa areia, ó Deus, o nosso granito se funde!
Oh! como o homem está mergulhado numa noite profunda!
Como tudo o que ele faz, ai! ao completar-se
Sobre ele desaba! e quantas vezes acontece
Que à hora em que sonhamos um futuro supremo,
O destino se ri de nós, e que, sob os nossos próprios passos,
Nesta terra onde nada nos parece escavado,
Qualquer coisa de horrível já está depositada!
Luís dezasseis, no dia do seu casamento real,
Tinha já o pé sobre a praça fatal
Onde, formado lentamente ao sopro do Altíssimo,
Como um grão no solo, germinava o seu cadafalso!

Victor Hugo

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-ao-passar-na-place-louis-xv-num-dia-de-festa-publica-victor-hugo/