Balada do último amor

Poema de Charles Cros Coleção O cofrezinho de sândaloÉpoca Século XIX

As minhas recordações são tão numerosas
Que a minha razão não lhes pode bastar.
Contudo, só por elas vivo,
Só elas me fazem chorar e rir.
O presente é sangrento e negro;
No futuro, que tenho eu a procurar?
Calma fresca dos túmulos, o entardecer!…
Apressei-me demasiado a viver.

Amores felizes ou infelizes,
Pesados remorsos, saciedade pior,
Olhos negros aveludados, olhos azuis claros,
Com olhares que não se podem dizer,
Cabelos afogando o pente
Cor de ouro, de ébano ou de cobre,
Quis ver tudo, ter tudo.
Apressei-me demasiado a viver.

Estou cansado. Mais amor. Quero
Viver só, para mim só descrever
Até ao odor dos teus cabelos,
Até ao clarão do teu sorriso,
Dizer o teu régio desleixo,
Evocar-te inteira num livro
Puro e verdadeiro como o teu espelho.
Apressei-me demasiado a viver.

ENVIO

Minha canção, vapor de turíbulo,
Querida revoada, irá seguir-te.
Nos teus braços esperava poder
Aguardar a hora que liberta;
Tiraste-me a vez. Adeus.
Apressei-me demasiado a viver.

Charles Cros

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-balada-do-ultimo-amor-charles-cros/