Ó minha filha, vês, eu me submeto.
Faz como eu: vive do mundo afastada;
Feliz? não; triunfante? nunca.
— Resignada! —
Sê boa e doce, e ergue uma fronte piedosa.
Como o dia nos céus põe sua chama,
Tu, minha filha, no azul de teus olhos
Põe tua alma!
Ninguém é feliz e ninguém é triunfante.
A hora é para todos uma coisa incompleta;
A hora é uma sombra, e nossa vida, filha,
É feita dela.
Sim, de seu destino todos os homens estão cansados.
Para ser feliz, a todos, — destino sombrio! —
Tudo faltou. Tudo, isto é, ai!
Pouca coisa.
Essa pouca coisa é o que, por sua parte,
No universo cada um procura e deseja:
Uma palavra, um nome, um pouco de ouro, um olhar,
Um sorriso!
A alegria falta ao grande rei sem amores;
A gota de água falta ao deserto imenso.
O homem é um poço onde o vazio sempre
Recomeça.
Vê esses pensadores que divinizamos,
Vê esses heróis cujas frontes nos dominam,
Nomes com que sempre nossos sombrios horizontes
Se iluminam!
Depois de haver, como faz um facho,
Ofuscado tudo com seus raios sem número,
Eles foram buscar no túmulo
Um pouco de sombra.
O céu, que sabe nossos males e nossas dores,
Tem piedade de nossos dias vãos e sonoros.
Cada manhã, banha com suas lágrimas
Nossas auroras.
Deus nos esclarece, a cada um de nossos passos,
Sobre o que ele é e sobre o que somos;
Uma lei sai das coisas daqui de baixo,
E dos homens!
Essa lei santa, é preciso conformar-se a ela.
E ei-la, toda alma pode alcançá-la:
Nada odiar, minha filha; tudo amar,
Ou tudo lastimar!
Victor Hugo
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-a-minha-filha-victor-hugo/
