Espectáculo tranquilizador

Poema de Victor Hugo Coleção Os Raios e as SombrasTemas Natureza, VidaÉpoca Século XIX

XVII

Tudo é luz, tudo é alegria,
A aranha de pé diligente
Prende às tulipas de seda
As suas rendas redondas de prata.

A trémula libélula
Espelha os globos dos seus olhos
No lago esplêndido onde pulula
Todo um mundo misterioso!

A rosa parece, rejuvenescida,
Unir-se ao botão vermelho;
A ave canta cheia de harmonia
Nos ramos cheios de sol.

A sua voz bendiz o Deus da alma
Que, sempre visível ao coração puro,
Faz a aurora, pálpebra de chama,
Para o céu, pupila de azul!

Sob os bosques, onde todo o ruído se amortece,
O gamo medroso brinca sonhando;
Nos verdes estojos do musgo
Brilha o escaravelho, ouro vivo.

A lua ao dia é tépida e pálida
Como um alegre convalescente;
Terna, ela abre os seus olhos de opala
De onde desce a doçura do céu!

O goivo com a abelha
Folga beijando o velho muro;
O quente sulco alegremente desperta,
Remexido pelo germe obscuro.

Tudo vive, e pousa com graça,
O raio sobre o limiar aberto,
A sombra que foge sobre a água que passa,
O céu azul sobre o outeiro verde!

A planície brilha, feliz e pura;
O bosque tagarela; a erva floresce. —
Homem! nada temas! a natureza
Sabe o grande segredo, e sorri.

Victor Hugo

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-espectaculo-tranquilizador-victor-hugo-2/