Profanação

Poema de Charles Cros Coleção O cofrezinho de sândaloÉpoca Século XIX

Não tenho amigo,
A minha amante morreu.
Só pela metade
É que o suporto.

Pode-se viver sozinho?
O meu desejo que dura
Levanta um sudário
Cheio de podridão.

Como ela empalideceu
A sua carne altiva e forte
Sobre a qual dormi!
Partamos sem escolta!

Pior que um antepassado,
Sem vacilar suporto
O odor da tília
Os ruídos da ramagem.

Almíscar, mirra, elemí,
Cantos de toda a espécie,
Adormeço entre
A vossa acre coorte.

Posso viver sozinho,
Pois tenho a pele dura.
Cobre, sudário,
Esta podridão.

Charles Cros

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-profanation-charles-cros/