O Exame da Meia-Noite

Poema de Charles Baudelaire Coleção As Flores do MalTemas ReligiãoÉpoca Século XIX

O relógio, badalando a meia-noite,
Ironicamente nos obriga
A recordar que uso
Fizemos do dia que fugiu:
– Hoje, data fatídica,
Sexta-feira, treze, nós,
Apesar de tudo o que sabemos,
Levámos a vida de um herege;

Blasfemámos contra Jesus,
Dos Deuses o mais incontestável!
Como um parasita à mesa
De algum monstruoso Creso,
Nós, para agradar à brute,
Digna vassala dos Demónios,
Insultámos o que amamos
E lisonjeámos o que nos repugna;
Entristecemos, servil carrasco,
O fraco que injustamente se despreza;
Saudámos a enorme Estupidez,
A Estupidez de fronte de touro;
Beijámos a estúpida Matéria
Com grande devoção,
E da putrefacção
Abençoámos a pálida luz;

Enfim, nós, para afogar
A vertigem no delírio,
Nós, padre orgulhoso da Lira,
Cuja glória é desdobrar
A embriaguez das coisas fúnebres,
Bebemos sem sede e comemos sem fome!…
– Depressa, apaguemos a lâmpada, a fim
De nos escondermos nas trevas!

Charles Baudelaire

Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.

Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-o-exame-da-meia-noite-charles-baudelaire/