(Os hóspedes)
– Abram, boa gente, abram a porta,
bato ao limiar e ao alpendre,
abram, boa gente, sou o vento,
que se veste de folhas mortas.
– Entre, senhor, entre, ó vento,
eis para vós a chaminé
e o seu nicho caiado;
entre em nossa casa, senhor vento.
– Abram, boa gente, sou a chuva,
sou a viúva em roupas cinzentas
cuja trama se desfaz
numa névoa cor de fuligem.
– Entre, viúva, entre em nossa casa,
entre, a fria e a lívida,
as fendas da parede húmida
abrem-se para vos albergar entre nós.
– Levantem, boa gente, a tranca de ferro,
abram, boa gente, sou a neve,
o meu manto branco desfaz-se
nas estradas do velho inverno.
– Entre, neve, entre, senhora,
com as vossas pétalas de lis
e semeai-as pelo casebre
até à lareira onde vive a chama.
Pois somos a gente inquietante
que habita o Norte das regiões desertas,
que vos amamos – dizei, desde quando? –
pelas penas que por vós sofremos.
Emile Verhaeren
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-dezembro-emile-verhaeren/
