Ó juventude ociosa
A tudo submissa,
Por delicadeza
Perdi a minha vida.
Ah! Que venha o tempo
Em que os corações se enamorem.
Disse a mim mesmo: deixa,
E que ninguém te veja:
E sem a promessa
De alegrias mais altas.
Que nada te detenha,
Augusto retiro.
Tanta paciência tive
Que para sempre esqueço;
Receios e sofrimentos
Aos céus partiram.
E a sede malsã
Escureceu-me as veias.
Assim o prado
Ao esquecimento entregue,
Crescido e florido
De incenso e de joio
Ao zumbido feroz
De cem moscas sujas.
Ah! Mil viuvezes
Da tão pobre alma
Que só tem a imagem
Da Nossa Senhora!
Será que se reza
À Virgem Maria?
Ó juventude ociosa
A tudo submissa,
Por delicadeza
Perdi a minha vida.
Ah! Que venha o tempo
Em que os corações se enamorem!
Arthur Rimbaud
Tradução gerada por Poésies 123 com o apoio do modelo de inteligência artificial deepseek-chat.
Texto publicado em Poésies 123: https://www.poesies123.com/pt/poema-cancao-da-mais-alta-torre-arthur-rimbaud/
